Domínios da Arquitetura Corporativa

A arquitetura de software pode ser entendida como um domínio da arquitetura corporativa. Inclusive, é dentro de tal contexto que o mais eficaz valor da arquitetura de software é realizado: o alinhamento com o negócio. Antes de prosseguirmos, convém definir “arquitetura corporativa”.

“A arquitetura corporativa define a coleção de capacidades de negócio, processos, serviços de negócio, serviços tecnológicos e infraestrutura de TI para realizar tais capacidades.” – TOGAF

TOGAF (The Open Group Architecture Framework) é um dos corpos de conhecimento em arquitetura corporativa. A saber, alguns outros:

  • Zachman: o primeiro framework de arquitetura corporativa
  • EABOK: iniciativa do governo norte americano
  • DoDAF : framework do Departamento de Defesa Norte Americano
  • MODAF: framework do Departamento de Defesa do Reino Unido

A arquitetura corporativa se preocupa com as capacidades da organização, enquanto que a arquitetura de software é apenas um dos aspectos para desenvolver tais capacidades. Abaixo relacionamos o senso comum sobre os domínios da arquitetura corporativa.

Típicos Domínios da Arquitetura Corporativa

Arquitetura de negócio é composta por:

  • estratégia, governança e organização de um negócio;
  • informação sobre os processos-chaves de negócio;
  • relacionamento entre todos estes conceitos.

Arquitetura de dados é composta por:

  • estrutura lógica e física de ativos de dados da organização;
  • recursos de gestão de dados.

Arquitetura de aplicação descreve o grupo lógico das capacidades para gerenciar objetos de dados necessários para processar os dados e o negócio.

E, finalmente, a arquitetura tecnológica:

  • envolve capacidades lógicas de software e hardware requeridas para suportar a implantação de serviços de negócio, dados e aplicação;
  • inclui infraestrutura de TI, middleware, redes, comunicação e padrões (standards).

A arquitetura de software, ao mesmo tempo que se preocupa fortemente com a arquitetura de sistemas de informação (aplicações e dados), se relaciona diretamente com a arquitetura de negócios e arquitetura tecnológica.  O relacionamento com a arquitetura de negócio provê um alinhamento natural com o contexto organizacional, as estratégias corporativas e os processos de negócio. Além disto, a estreita ligação com a arquitetura tecnológica garante que a fundação de TI estará apta a suportar aplicações com necessidades de negócio perfeitamente endereçadas.

A arquitetura de software, dentro de uma abordagem corporativa, certamente terá maiores chances de transformar o software em valor real para a companhia.

BPM e SOA Orientado por Capacidades de Negócio

A prática de BPM é normalmente definida como a “modelagem, simulação, automação, monitoração e gerenciamento dos processos de negócios essenciais de uma organização”.  Esta definição guarda um conceito importante, que é a necessidade de conhecermos o que são os processos essenciais.

Uma técnica importante para descobrir quais são os processos essenciais é o uso de capacidades de negócio. Uma capacidade de negócio representa uma abstração de negócio que represente a natureza de uma organização e quer normalmente requer alavancagem. Alguns exemplos para tornar concreto o nosso raciocínio poderiam incluir:

  • A capacidade de serviços padronizadas em uma franquia de sanduíches, como por exemplo o MacDonalds ou o Giraffas.
  • A capacidade de integração de informações em uma rede logística, que necessita coordenar milhares de fornecedores, como por exemplo a rede do Pão de Açucar.
  • A capacidade de planejamento do controle de produção em uma linha de montagem de automóveis, com alta padronização de processos e alta integração destes processos de manufatura.
  • A capacidade de agilidade na entrega de pedidos na unidade de negócio de delivery de uma grande pizzaria.

Capacidades de Negócio – A bússola BPM

Bússola BPM

Oriente seus processos de negócio pelas capacidades de negócio que melhor definem a natureza da sua organização ou unidade de negócio

As capacidades de negócio definem atributos sobre um sistema empresarial e permitem expressar a natureza do negócio desta organização. Capacidades complementam a visão clássica de BPM. Enquanto o BPM responde “COMO”, as capacidades de negócio dizem “O QUE” e nos auxiliam nos motivadores de negócio – “POR QUE”.

Uma vez que tenhamos descoberto as capacidades de negócio, podemos focar no mapa de processos. Todo e qualquer processo que não esteja aderente a uma capacidade de negócio será descartado. Apenas os processos de negócio aderentes às capacidades de negócio serão alvo do nosso esforço BPM. Esta iniciativa pragmática permite focar e saber que o nosso esforço será eficaz.

Para os praticantes de SOA, as capacidades de negócio criam um caminho confiável e assertivo para as integrações sistêmicas e automações de processos de negócio.

Para os interessados, um artigo introdutório a respeito está disponível aqui no Microsoft Architecture Journal. Para os realmente interessados, um artigo sobre o modelo de engajamento de TI às capacidades de negócio de uma organização baseado no excelente trabalho de Jeanne Ross está disponível aqui.

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