O Time de Arquitetura

Em muitas ocasiões, apenas um arquiteto de software não é capaz de atender às necessidades do projeto. Faz-se então necessário formar um time de arquitetura com dois ou mais membros. Sempre que existir a opção de compor o próprio time, o arquiteto líder deve procurar formá-lo com profissionais que julgar mais adequados para a tarefa. Seguem algumas dicas para a composição do time:

  • Todos os membros devem saber efetivamente trabalhar em equipe. É desejável que já exista vínculos de confiança entre os membros. Muitas vezes, o time formado não trabalhou em conjunto previamente – é fundamental estabelecer rapidamente bases para a credibilidade mútua. Por credibilidade, julgamos adequada a definição de Stephen M. R. Covey abrangendo quatro dimensões: integridade, intenção, capacitação e resultados. As duas primeiras são referentes ao caráter enquanto que as últimas, à competência.
  • Identificar as pessoas “certas”. As pessoas “certas” nem sempre são as que têm maior habilidade técnica. Comprometimento, disciplina, atitude e outros aspectos do caráter devem ser valorizados. Questões relativas à formação do caráter são mais complicadas de ligar que a capacitação técnica.
  • Dificilmente consegue-se reunir todas as características de um bom arquiteto em apenas um profissional (geralmente, nem o arquiteto líder as tem por completo). Sendo assim, é desejável que os membros combinem habilidades e competências complementares.
  • A fim de obter sinergia do time, é fundamental criar um ambiente onde todos possam participar sem censuras ou críticas intimidadoras (”qualquer um pode ter uma boa idéia”).
  • Promover um espírito de cooperação entre os membros do time e demais stakeholders como analistas de requisitos, engenheiros de testes e usuários. A formação de silos é destrutiva para os projetos.

Mesmo que não exista a necessidade de formação de um grupo especializado em arquitetura de software, costuma ser uma boa prática envolver os desenvolvedores de software no desenho da arquitetura. Particularmente, nem sequer aprecio a separação entre arquitetos e desenvolvedores – acho que faz bem enxergar todos como um time de competências complementares, onde cada atua conforme suas habilidades, pouco importando a função do crachá.

Uma arquitetura desenvolvida com bases em liderança e cooperação de todos os membros tende a ser mais eficaz. Em primeiro lugar, porque o produto coletivo será muito mais consistente com a opinião consolidade de várias pessoas. Em segundo, quando há participação de todos, o sentimento de propriedade coletiva é forte – todos são “donos” e responsáveis pela integridade arquitetural.

A máxima “primeiro quem, depois o quê” identificada por Jim Collins também pode ser aplicada para o time de arquitetura. Primeiro quem: “coloque as pessoas certas no barco”.  Depois o quê: “uma vez com as pessoas certas em cada lugar, descobrir qual é o caminho”.

Para reflexão: “Haverá uma época em que não vamos poder esperar por alguém. Agora, ou você está no barco ou fora dele.”Ken Kesey, extraído de “The Electric Kool-Aid Acid Test”, de Tom Wolfe

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